O estudo apresentado, na passada terça-feira, pela reputada analista Mary Meeker é um instrumento de trabalho que nenhum profissional da área dos Media pode dispensar. Numa linguagem simples e acessível, a especialista da Morgan Stanley protagonizou um dos momentos altos da Web 2.0 Summit que se realizou em S. Francisco.
As 10 questões colocadas ilustram, na realidade, o actual estado de arte da indústria dos conteúdos online e permitem, igualmente, um vislumbre das mudanças que o futuro próximo irá trazer. Fica-se a saber, por exemplo, que Portugal está em 21º lugar no Top 30 mundial do mercado de acesso móvel à internet. Este é, aliás, um mercado em forte expansão. Estima-se que em 2012, o número de smartphones ultrapasse a nível mundial, pela primeira vez, o volume de computadores, no acesso à internet. No Japão, por exemplo, o número de acessos móveis às redes sociais já superou, largamente, o convencional acesso do pc. Uma evolução extraordinariamente rápida que ocorreu em pouco mais de três anos.
A elevada rapidez das mudanças ocorridas nos últimos anos é, aliás, uma das matérias mais interessantes e com impacto maior no mercado mundial. Veja-se, por exemplo, a relação entre a percentagem de tempo dispendido pelos consumidores nos Media versus o investimento publicitário de cada meio. Em 2009, no mercado de referência dos Estados Unidos, a imprensa tem 12% de atenção dos consumidores face a um investimento publicitário de 26%. Estes valores continuam a revelar uma dupla tendência: os consumidores lêem cada vez menos jornais no formato convencional e os anunciantes continuam a reduzir o investimento na imprensa. Na rádio, o cenário é ainda pior. Com 16% do tempo dispendido pela generalidade dos consumidores, apenas colhe 9% do investimento comercial. Números que também não escondem a tendência de descida generalizada face a anos anteriores. A televisão também não escapa. Embora continue a ser o meio com maior índice de audiências, está muito longe dos valores atingidos há cinco anos. Em 2009, apenas atinge 31% das audiências e viu reduzido o investimento publicitário para os 39%. O único meio que continua a subir é a internet que atinge já os 28% do tempo dispendido pelos consumidores e que vê aumentar para 13% o investimento publicitário. Para a Morgan Stanley parece não haver dúvidas: existe uma oportunidade de negócio de cerca de 50 biliões de dólares na internet.
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